O proposito desse meu blog é documentar o que ando aprendendo em programação, e não irei focar em uma única linguagem, mas no momento estou estudando em peso JavaScript, possivelmente quando estiver mais confortável com JS, irei postar algumas coisas sobre RUBY || outra linguagem.

Mas hoje irei falar de algo que vem ainda antes da programação e considero hoje uma grande importância na vida profissional e até mesmo pessoal de um programador, por incrível que pareça, muitos programadores discordam e não acham necessário o inglês como base para a programação, mas enfim, não estou aqui para convencer ninguém, meu intuito é deixar minha opinião sobre o tema.

Motivo para aprender inglês

Tudo começou quando tinha acabado de migrar de área na Netshoes, eu estava como designer no Marketing e passei para o setor de TI como front-end, sim, sou formado em Design Gráfico e comecei minha carreira como designer em pequenas empresas até chegar na Netshoes, mas sempre em paralelo amava estudar sozinho programação e até hoje continuo estudando sem parar, mas isso é outra história, vamos voltar para o tema.

Então quando eu já estava pegando projetos de front-end da Netshoes e tudo estava fluindo bem, cheguei no Daniel Filho (um grande mentor para mim) e disse:

Cara, agora estou dedicando 100% do meu tempo em programação, estudo meus livros e tutoriais nas horas livres e pratico no trabalho tudo que aprendo, fora o que aprendo no trabalhando, gostaria da sua opinião, devo continuar aprendendo JS, GIT, REGEX? Estou no caminho certo?

E foi quando levei a maior surpresa, ele perguntou se eu sabia inglês, fugindo da minha pergunta sobre programação, respondi que tinha muita facilidade na leitura mas que na pronuncia eu estava muito no básico. O fato que até então eu nunca tinha feito curso de inglês na vida, estudei em escola pública e para quem conhece, sabe que o ensino era um meia boca de verbo TO BE, não sei hoje como anda a didática, mas na minha época era muito ruim o ensino de inglês.

Foi como um tapa na cara

Ele escutou o que disse, olho nos meus olhos e falou:

Antes de aprender JavaScript ou qualquer outra linguagem, você tem que aprender inglês. - Daniel Filho

Ele nem precisou explicar o porquê, no tom da voz dele percebi que aquilo era muito mais importante, e muitas peças começaram a se juntar, eu tinha uma noção, mas só naquele momento ficou tudo mais claro, umas delas eram as coisas que eu buscava na internet para aprender programação e as melhores explicações estavam em inglês.

Naquele dia eu nem dormi direito, fiquei pensando na melhor solução para resolver isso pois sabia que mesmo começando em um curso de idiomas naquela semana no Brasil, eu lavaria no mínimo 1 ano para apresentar um resultado gratificante, fora a fortuna que iria gastar.

A melhor solução era uma loucura

Ainda na mesma semana, conversei com minha mulher e concluí.

Minhas férias estão chegando, ainda tenho tempo de levantar uma grana, irei procurar uma boa escola que não tenha o hábito de receber brasileiros e irei passar uns 30 dias sozinho nos EUA.

No começo toda minha família achou loucura pelo motivo de nunca ter feito inglês na vida e querer ir sozinho, no fundo até eu achava um pouco de loucura, mas considero isso um grande combustível para pessoas quebrarem barreiras, gosto de me mover assim. Mesmo minha família aprovando ou não, eu estava convicto com minha ideia e não iria desistir tão fácil. Mas todos aprovaram, principalmente minha mulher, mas era só o começo!

Como tornar isso realidade?

Comecei indo em agências de viagens e levantar vários orçamentos para vários países, mas cada orçamento era uma tristeza, tudo era tão caro (já que eles colocam a margem de comissão) e ainda faltava o valor da passagem de ida e volta já que a maioria das agências não incluíam no orçamento, mais a grana que iria me sustentar no dia-a-dia, mais seguro viagem. Até recebi alguns orçamentos mais baratos, mas quando perguntava se tinham muitos brasileiros estudando lá, os vendedores das agências respondiam com total felicidade dizendo que sim, dando a entender que se tem muitos brasileiros é bom o ensino, mas pelo contrário, quanto mais brasileiro estudando juntos, maior a chance de você falar português e ouvir português.

Então desisti de todas agências e comecei eu mesmo procurar lugares pelo mundo, abri o Google Maps e digitei “English Language School” e fui expandido o mapa e colhendo os dados das escolas que achava interessante, a cada 10 eu mandava um email genérico para todas perguntando se aceitavam estudantes diretamente não só por intermédio de agências, se tinha muita frequência em receber brasileiros e se conseguiam me ensinar mesmo eu não tendo uma base do inglês.

Tudo estava dando certo

Fui recebendo vários emails e separando as melhores propostas até encontrar o curso perfeito para minha situação. Recebi um email muito bacana da Ruth dona de uma escola chamada Language Pacifica que fica em Menlo Park, CA nos EUA, ela dizia que a instituição existia há muitos anos, que já receberam brasileiros porém não com tanta frequência, e que sim, conseguiam me ensinar mesmo eu não tendo uma base sólida de inglês.

Esse foi meu ponto de partida, tinha o principal que era o curso, o resto iria vir com o tempo e não precisava correr, todas as dúvidas que tinha eu mandava um email para Ruth e ela sempre respondia rápido com no máximo um dia de atraso. Então sempre tínhamos uma comunicação direta.

Perguntei para ela sobre moradia, se tinha lugares baratos e perto para alugar (para quem não sabe Califórnia é um dos estados mais caros para alugar e comprar casa nos EUA), e foi aí que ela deu a melhor ideia. Disse que eles tinham parceria com o governo e que forneciam lugar em casa de família para ficar e era bem mais barato. Quando ela enviou um orçamento do curso mais moradia com café da manhã e jantar, fiquei muito feliz, mesmo juntando com a passagem, seguro viagem e mais uma grana que iria levar para me sustentar lá, estava bem mais barato que fechando direto com a agência.

Ela disse eu não precisava pagar antes da viagem, que eu poderia pagar lá pessoalmente, e que precisaria apenas de um sinal de $300 dólares, $150 da escola e mais $150 da casa de família.

Será que eu estava confiando demais?

Fiquei um pouco com pé atrás pois eles pedem todo seus dados do cartão de crédito, e isso é extremamente normal lá, mas eu não sabia. Antes de mandar os dados do cartão, entrei na fan page da escola no facebook e procurei todos alunos que eram brasileiros, mandei mensagem explicando que tinha dúvidas sobre a instituição e como a pessoa já tinha supostamente estudado lá, que talvez poderia me ajudar. De uns 8 que enviei, apenas uma mulher do RS respondeu e já foi passando telefone para eu poder ligar e conversar melhor, liguei no mesmo dia e ela foi super carismática comigo respondendo todas minhas dúvidas e falando sobre a experiência dela quando tinha ido estudar lá, falando apenas pontos positivos e que não haviam negativos, foi a deixa para garantir que tudo iria dar certo.

Fiquei mais seguro e fiz a transferência do sinal, comprei a passagem direto com a American Airlines, comprei o seguro viagem com a Allianz e essas duas últimas consegui parcelar, então foi muito mais tranquilo. Comprei os dólares no Banco Máxima, e peguei o dólar subindo, paguei uns R$ 2,70 mais ou menos.

Faltava apenas chegar o dia, mas claro que não fiquei parado, aproveitei esse meio tempo para pular de cabeça no Duolingo, comprei uns livros que tem level e repetição de palavras para que você possa fixar na cabeça e escutando muito podcast em inglês.

Só eu e o Deus maior

Chegou o grande dia, fui recebido no aeroporto de San Francisco por uma assistente da Ruth, ela me levou até a casa de família que era em Mountain View, CA, isso era uma sexta-feira, fiquei completamente perdido, já que não estava entendo quase nada do inglês, mas eu não desistia, estava domado pela motivação de aprender, minha sorte que a senhora, dona da casa onde fiquei, gostava de falar muito, então eu prestava atenção em tudo que ela falava, mesmo que não entendia, para tentar entender padrões, gestos comuns, etc…

Levei uma grana para comprar celular e notebook, então fui sem nada na qual podia me comunicar com família e amigos lá dos EUA, foram quase 48hs sem avisar que estava tudo bem, deu um problema nos planos e não consegui passar em nenhuma Apple Store. Mas com cara e coragem, consegui achar a loja e comprei o que precisava para me comunicar. Foi tenso!

Minhas aulas e o inglês evoluindo

Fui para escola na segunda e entrei no nível 3, para eles era intermediário mais básico, mas nos 2 primeiros dias, eu achei muito fácil e lento, a professora era ótima, mas o que segurava é que tinham alguns chineses que sabiam bem inglês, mas que as vezes travavam em palavras simples mas que para eles era de outro mundo, até entendo já que eles vem de um vocabulário completamente diferente. A maioria dos alunos tinham no mínimo 6 meses para aprender, eu tinha apenas 30 dias! Não podia perder tempo.

Fui conversar com a diretora sobre isso, e ela me colocou no dia seguinte no nível 4, e foi aí que senti que estava decolando, era muito mais rápido e fluído a aula, a professora era ótima, e todos os dias tinha trabalho para casa, e isso me forçava a aprender muito, e não tinha com quem questionar em português sobre um tópico em inglês, fui aprendendo na marra.

Os dias foram passando e cada dia estava mais afiado, puxava assunto com qualquer pessoa que passava na minha frente, perguntava coisas mesmo que já sabia, só para ver como conseguia interagir com as pessoas. Todos me trataram bem, e tinham paciência por saber que eu não tinha um ótimo inglês.

Cheguei a sonhar em inglês de tanto ficar falando, nos últimos dias que liguei para minha mãe, tinha palavras que sem querer saiam em inglês no meio da conversa, era inacreditável, fiquei muito feliz nas últimas semanas pois já estava me virando muito bem e sabia que iria ver a família e amigos logo (ficar sem ver o rosto de qualquer pessoa conhecida por muito tempo dá uma sensação estranha).

Sobre detalhes da viagem, o que fiz, onde visitei, fotos, irei fazer um post a parte!

Claro que em 30 dias não fez eu voltar falando fluente, mas posso garantir que saltei mais ou menos um ano de curso aqui no Brasil, já consigo ser mais ativo nas reuniões em inglês na Netshoes, consigo entender melhor filmes, cursos e textos em inglês.

Peguei o contato da minha professora de lá dos EUA e estou continuando as aulas via Skype por uma hora e meia, uma vez por semana, a ideia é não parar de deixar a peteca cair.

Por que aprender inglês?

Não mencionei quase nada de programação neste texto, mas se parar para ver, esse é um pequeno detalhe de um background para você partir para uma programação mais avançada e não ficar dependendo que pessoas traduzam tutoriais, livros, documentos do inglês para o português.

Nós programadores temos sorte que nossa profissão é universal, sabendo inglês você tem a chance de trabalhar em vários países, se você manter seu código no github em inglês, ajudar documentações em inglês, essa chance só aumenta, pelo motivo que empresas estrangeiras consigam navegar pelos seus repositórios, fora as empresas brasileiras que enxergam com outros olhos esses profissionais com domínio da língua. Como diz um outro grande mentor para mim:

Uma segunda língua te dá o poder de escolha - Rafael Rinaldi

Se você quiser aprender outra que não seja o inglês, também acho válido, mas lembre que o inglês é onipresente, a comunidade o utiliza como base.

Aprender inglês não vai fazer você desconsiderar suas raízes.

O dinheiro tira um homem da miséria, mas não pode arrancar de dentro dele a favela. - Racionais Mc’s Negro Drama

Agradecimento

Agradeço mais uma vez minha mulher Juliana Melo por ser sempre tão paciente, Daniel Filho e Rafael Rinaldi por sempre dedicarem seus tempos para repassarem suas experiências, e o time (gangue) de fronts lá da Netshoes Weslley Araújo, Mauricio Soares, Rafael Rodrigues, Raphael Fabeni (Deus Grego) e o mais novo Hugo Bessa por fazerem parte das minhas experiências.